Geografia sem fronteiras

Livro

Autor(a):

Rui Jacinto (org.)

Ano de publicação:

2018

Editora:

Âncora/Centro de Estudos Ibéricos

Chamada/sinopse:

Transversalidades: imagem, território, cooperação. O Centro de Estudos Ibéricos (CEI) aposta desde o seu aparecimento, em 2000, na cooperação transfronteiriça e num compromisso ativo com os territórios de fronteira, mais excluídos, marginais e periféricos, profundamente marcados pela baixa densidade. A partir destas referências e da importância que a imagem assume nas sociedades contemporâneas foi lançado o projeto Transversalidades - Fotografias sem Fronteiras com o propósito de romper com o esquecimento e a exclusão a que estão votados, fundamentalmente pelos média, quer aqueles espaços marginais como outras áreas do planeta.
O concurso de fotografia subjacente ao projeto aposta no valor documental, pedagógico e estético da imagem para promover a inclusão dos territórios menos visíveis, inventariar recursos, valorizar paisagens, culturas e patrimónios. Tais pressupostos não descuram a importância da cooperação entre instituições e territórios, de aquém e além-fronteiras, nem a troca de experiências e de conhecimentos entre pessoas repartidos por diferentes países de vários continentes. A edição deste livro é o eloquente testemunho do potencial deste tipo de projetos para incentivarem o diálogo entre investigadores, estimular a partilha
de conhecimentos e divulgar lugares remotos localizados longe dos olhares dominantes.
As imagens anualmente submetidas a concurso, provenientes de vários continentes, tanto documentam a diversidade de territórios, sociedades e culturas como são contributos importantes para interpretação das paisagens dispersas por várias geografias do planeta. O Transversalidades - Fotografias sem fronteiras, por estas razões, além dum concurso é, também, uma estratégia de cooperação territorial, um meio de esbater as artificiosas fronteiras que se continuam a erguer entre povos, países e culturas.
Geografia sem Fronteiras. Diálogos entre Portugal e o Brasil espelha ainda a manifesta preocupação do CEI se abrir às Novas Geografias dos Países de Língua Portuguesa (NGPLP). Nos últimos anos, tem promovido iniciativas e apoiado a investigação com estes propósitos, promovendo o diálogo e o envolvimento comprometido de geógrafos e investigadores doutras disciplinas com distintas proveniências, vivências e experiências. Esbater o desconhecimento mútuo entre as várias Geografias também passa por dinamizar parcerias e redes de investigação, até aqui muito centradas no Brasil e em Portugal, envolvendo geógrafos dos restantes PLP (Cabo Verde, Moçambique, Angola, Guiné, S. Tomé e Príncipe e Timor).
Importa não esquecer que os Países de Língua Portuguesa, dispersos por diferentes continentes, representam uma geografia diversa, rica e complexa, onde habitam perto de 280 milhões de falantes que fazem do português a língua mais falada no hemisfério sul e a quinta a nível mundial. Este dado objetivo apenas destaca a importância da partilha e transferência de conhecimentos em torno das questões ambientais, das dinâmicas socioeconómicas e dos processos de reestruturação em diferentes contextos territoriais, aspetos críticos para o desenho de políticas publicas orientadas para a coesão económica, social e territorial, isto é, o tão almejado desenvolvimento sustentável.