Arte e Geografia em conexão: análise de produções de artistas contemporâneos sobre o espaço

Dissertação

Autor(a):

Rafaela Celestina Zanette

Orientador(a):

Profa. Dra. Iara Vieira Guimarães

Instituição de Ensino Superior:

Universidade Federal de Uberlândia

Cidade e ano de publicação:

Uberlândia

Resumo:

A presente pesquisa aborda a interdisciplinaridade entre a arte e a geografia na formação docente, objetivando mostrar como as obras artísticas produzem outros modos de pensar o espaço geográfico e as suas complexas questões contemporâneas. Selecionamos imagens das reproduções das obras dos seguintes artistas contemporâneos brasileiros: Alex Flemming, Yana Tamayo e Léa Zumpano. As seguintes questões que orientaram a investigação são: Como as obras artísticas de Flemming, Tamayo e Zumpano podem instigar a construção de um diálogo interdisciplinar entre arte, geografia e a formação docente? Como esses trabalhos artísticos desenvolvem aspectos relevantes à dimensão estética e espacial? Como propor uma experiência estética para a formação docente, envolvendo essas obras artísticas? O objetivo geral da pesquisa foi analisar as obras artísticas selecionadas para identificar e refletir sobre as linguagens da arte exploradas pelos artistas e a interface entre a arte e a geografia estabelecida nesse contexto. Em termos metodológicos, a pesquisa seguiu os preceitos da análise documental. As análises das imagens foram realizadas, principalmente, à luz das ideias de Barbosa (2002), Rossi (2009) e Santaella (2012). A partir dos estudos de Duarte Júnior (2010), Larrosa (2002) e Loponte (2014; 2017) compreendemos como a formação estética potencializa a formação docente. O olhar interdisciplinar percorreu todo o processo de pesquisa balizado pelos estudos de Fazenda (2001; 2015), Rajchaman (2011), Thiesen (2008), dentre outros autores. Nesse percurso de análise das imagens, encontramos o eixo transversal comum entre elas, que consistiu no conceito de lugar e, por sua vez, para discorrermos sobre essas concepções, tomamos como base os estudos de autores como Cavalcanti (2010), Girardi (2014; 2016), Massey (2009), Santos (1997; 2005) e Yi-Fu Tuan (1983). A transversalidade do conceito de lugar permitiu estabelecer o diálogo artístico/geográfico e como ele pode propiciar o desenvolvimento de projetos criativos e significativos na análise das marcas humanas, no processo de produção e transformação contínuos do espaço pelos seres humanos. Tendo como base essa discussão, apresentamos dois produtos oriundos do trabalho de investigação: a) A produção de encartes sobre as obras analisadas, para serem utilizados didaticamente por professores e docentes em formação, como estímulo à expressão não verbal e à possibilidade de potencializar a formação estética docente, por uma proposta interdisciplinar; b) A produção plástica autoral intitulada “Lugares intercambiáveis” (2020). Entendemos que a interdisciplinaridade não se encontra presa em um conceito, mas em atitudes, em posturas e em um modo de operar analítico de pensar a formação docente, o trabalho pedagógico e a própria relação interpessoal no campo da educação. Vislumbramos que a relevância de propor experiências estéticas aos docentes em formação e que desenvolver práticas interdisciplinares permitem a integração de conhecimentos e o desenvolvimento da aprendizagem.

Palavras-chave:

Arte; Geografia; Interdisciplinaridade; Formação Docente